Artista plástico, mas também poeta, dramaturgo, romancista e ensaísta, Almada Negreiros é uma das figuras mais marcantes da cultura portuguesa do século XX.
Nesta exposição exibe-se um conjunto de desenhos originais de Almada Negreiros, a maioria dos quais datadas de 1936, concebidos para ilustrar a obra literária Fábulas do escritor e jornalista Joaquim Manso. Provenientes da colecção do Museu Abade de Baçal, em Bragança, estes trabalhos dão a conhecer uma das múltiplas facetas criativas de Almada Negreiros.
Este conjunto de 54 desenhos, a tinta-da-china sobre papel, que agora se mostram pela primeira vez em Lisboa, remetem para um período criativo em que o artista se interessou predominantemente pelas artes gráficas e visuais, antecedendo as grandes produções. O traço de Almada Negreiros encontra, no universo fabuloso da obra de Joaquim Manso, a oportunidade de se expressar em toda a sua modernidade e expressividade, enriquecendo a mensagem da ficção literária. Nesta obra, o autor narra várias fábulas, pequenos contos, onde as personagens intervenientes e os factos alegóricos manifestam uma intenção moralista, em que o espírito vence a matéria.
Em diálogo com a obra de Almada, apresenta-se, nesta exposição, a arte ceramista de Rafael Bordallo Pinheiro, reforçando o ambiente fabuloso do “tempo em que os animais falavam”. Trata-se de um conjunto de peças, gentilmente cedidas pela Fábrica de Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro, que reproduzem o imaginário da arte do autor do texto e do ilustrador.